Resenha de Cem anos de Solidão
Por Diego Jordan, do Nerds Somos Nozes.
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| Garcia Marquez |
A história dos Buendia é narrada durante gerações, com filhos de sangue e adotados, que se foram com tiros na cabeça ou subindo aos céus, em um paredão por serem revolucionários ou fazendo xixi ao pé de uma árvore. Absurdos fantásticos e realismos coexistem no passar dos anos dessa família e do vilarejo onde moram, Macondo.
É exatamente em um emaranhado de acontecimentos improváveis que se tece um dos maiores e mais importantes - se não o maior e mais importante - romance latino do século XX (abro aqui propositadamente um parêntese para esboçar minha opinião sincera: ainda não li até hoje, um livro escrito por homem ou mulher das Américas melhor que este, para mim então ele é o melhor dentre os melhores). Seu nome? Cem Anos de Solidão.
Se você é uma pessoa que lê com um mínimo de freqüência e vez por outra se detêm lendo algo sobre literatura, já deve ter escutado falar deste livro. Se você é um ser que lê muito e não perde seu tempo de leitura APENAS com vampiros purpurinados ou romances água-com-açúcar, já deve tê-lo lido ou o mesmo encontra-se na sua lista.
Em um vilarejo afastado de qualquer civilização, no princípio visitado apenas por ciganos em seus tapetes voadores, e mais tarde por companhias bananeiras norte-americanas, se desenvolve uma pequena população. Macondo é o nome desse vilarejo, e seu principal fundador é José Arcádio Buendía, marido de Úrsula Iguaram, mãe do Coronel Aureliano Buendía, pai de dezessete filhos de dezessete diferentes mulheres. Estes mesmos filhos foram mortos um a um, justamente por serem filhos do coronel. Mas o coronel não foi o único filho de José Arcádio e Úrsula. Eles tiveram outros, que tiveram mais filhos, e esses filhos, assim como os pais e os avôs geraram mais filhos, e a história de cada um desses filhos é descrita e narrada até sua morte, ou até a sua estádia na terra, pois um deles sobe ao céu como um Anjo, talvez por ser a criatura mais racional que já existiu.
Cada um desses filhos tem sua partida descrita de uma maneira muito distinta uma da outra. Assim como Remédios, a Bela subiu ao céu; também tivemos o próprio coronel que morreu fazendo xixi ao pé da arvore onde seu pai outrora fora acorrentado por ficar louco, e onde literalmente vegetou até a morte. Tivemos ainda aquele que foi levado ao paredão por ser revolucionário, fim semelhante ao que foi dizimado em praça publica juntamente com outros manifestantes e dele ninguém nunca soube o verdadeiro fim, apenas o leitor. Uma das mortes que mais gostei, ou pelo menos a que mais me marcou, foi a de José Arcadio, o filho, que após tomar as terras dos vizinhos foi alvejado com um tiro de espingarda na testa e o sangue que verteu do buraco feito pela bala escorreu as ruas de Macondo, chegando à casa dos pais e anunciando a sua mãe, que pressentia, a fúnebre notícia.
Embora eu tenha me detido falando um pouco da morte dos personagens não é apenas de morte que fala o livro. Entre a narrativa serão percebidos temas como política, amor, família, amizade, misticismo, folclore e principalmente solidão. O titulo do livro não é em vão, a própria condição de Macondo, um povoado isolado e sem vias, tanto de saída quanto de acesso conhecidas ao mundo exterior (isso não quer dizer que ninguém tenha saído ou chegado a Macondo), já o fazem um lugar solitário por si só.
Porém, ainda mais Solitário que Macondo é cada um dos Buendía. A família parece sofrer de um problema crônico de solidão, e isso não ocorre pelo fato da pessoa estar sozinha fisicamente. Na realidade isso é até um tanto impossível para uma família tão grande. Poucos, ou apenas um personagem é realmente isolado, os demais sofrem de uma solidão intima, de uma solidão que acompanha cada ser humano, principalmente aqueles que são mais inquietos, que tentam sempre chegar a algum lugar e jamais chegam à lugar algum. Que querem mais por achar que a solução para o vazio está no volume material, ou naqueles que esbanjam todo este falado volume na tentativa de saber se são as farras, as festas e as bebedeiras que irão arrastá-los para fora do vazio em que se encontram.
Por fim, Garcia Marquez nos fala, nas próprias palavras do autor, das maravilhas da solidão compartilhada, de compartilhar o isolamento com alguém, mas não qualquer alguém, é o alguém com quem seu coração se isola e deixa-se solitário propositadamente, para esquecer-se do mundo, para ser egoísta. No fim, o livro fala tanto da solidão quanto de amor e família.
É exatamente em um emaranhado de acontecimentos improváveis que se tece um dos maiores e mais importantes - se não o maior e mais importante - romance latino do século XX (abro aqui propositadamente um parêntese para esboçar minha opinião sincera: ainda não li até hoje, um livro escrito por homem ou mulher das Américas melhor que este, para mim então ele é o melhor dentre os melhores). Seu nome? Cem Anos de Solidão.
Se você é uma pessoa que lê com um mínimo de freqüência e vez por outra se detêm lendo algo sobre literatura, já deve ter escutado falar deste livro. Se você é um ser que lê muito e não perde seu tempo de leitura APENAS com vampiros purpurinados ou romances água-com-açúcar, já deve tê-lo lido ou o mesmo encontra-se na sua lista.
Em um vilarejo afastado de qualquer civilização, no princípio visitado apenas por ciganos em seus tapetes voadores, e mais tarde por companhias bananeiras norte-americanas, se desenvolve uma pequena população. Macondo é o nome desse vilarejo, e seu principal fundador é José Arcádio Buendía, marido de Úrsula Iguaram, mãe do Coronel Aureliano Buendía, pai de dezessete filhos de dezessete diferentes mulheres. Estes mesmos filhos foram mortos um a um, justamente por serem filhos do coronel. Mas o coronel não foi o único filho de José Arcádio e Úrsula. Eles tiveram outros, que tiveram mais filhos, e esses filhos, assim como os pais e os avôs geraram mais filhos, e a história de cada um desses filhos é descrita e narrada até sua morte, ou até a sua estádia na terra, pois um deles sobe ao céu como um Anjo, talvez por ser a criatura mais racional que já existiu.
Cada um desses filhos tem sua partida descrita de uma maneira muito distinta uma da outra. Assim como Remédios, a Bela subiu ao céu; também tivemos o próprio coronel que morreu fazendo xixi ao pé da arvore onde seu pai outrora fora acorrentado por ficar louco, e onde literalmente vegetou até a morte. Tivemos ainda aquele que foi levado ao paredão por ser revolucionário, fim semelhante ao que foi dizimado em praça publica juntamente com outros manifestantes e dele ninguém nunca soube o verdadeiro fim, apenas o leitor. Uma das mortes que mais gostei, ou pelo menos a que mais me marcou, foi a de José Arcadio, o filho, que após tomar as terras dos vizinhos foi alvejado com um tiro de espingarda na testa e o sangue que verteu do buraco feito pela bala escorreu as ruas de Macondo, chegando à casa dos pais e anunciando a sua mãe, que pressentia, a fúnebre notícia.
Embora eu tenha me detido falando um pouco da morte dos personagens não é apenas de morte que fala o livro. Entre a narrativa serão percebidos temas como política, amor, família, amizade, misticismo, folclore e principalmente solidão. O titulo do livro não é em vão, a própria condição de Macondo, um povoado isolado e sem vias, tanto de saída quanto de acesso conhecidas ao mundo exterior (isso não quer dizer que ninguém tenha saído ou chegado a Macondo), já o fazem um lugar solitário por si só.
Porém, ainda mais Solitário que Macondo é cada um dos Buendía. A família parece sofrer de um problema crônico de solidão, e isso não ocorre pelo fato da pessoa estar sozinha fisicamente. Na realidade isso é até um tanto impossível para uma família tão grande. Poucos, ou apenas um personagem é realmente isolado, os demais sofrem de uma solidão intima, de uma solidão que acompanha cada ser humano, principalmente aqueles que são mais inquietos, que tentam sempre chegar a algum lugar e jamais chegam à lugar algum. Que querem mais por achar que a solução para o vazio está no volume material, ou naqueles que esbanjam todo este falado volume na tentativa de saber se são as farras, as festas e as bebedeiras que irão arrastá-los para fora do vazio em que se encontram.
Por fim, Garcia Marquez nos fala, nas próprias palavras do autor, das maravilhas da solidão compartilhada, de compartilhar o isolamento com alguém, mas não qualquer alguém, é o alguém com quem seu coração se isola e deixa-se solitário propositadamente, para esquecer-se do mundo, para ser egoísta. No fim, o livro fala tanto da solidão quanto de amor e família.
DISPONÍVEL PARA EMPRÉSTIMO
SETOR CIRCULANTE
8 EXEMPLARES:
Cem anos de solidão. Rio de Janeiro: José Olympio, 1967. 364 p.
Cem anos de solidão. Rio de Janeiro: Record, 1967. 394 p. (3 ex.)
Cem anos de solidão. Rio de Janeiro: Record, 1995. 394 p.
Cem anos de solidão. Rio de Janeiro: Record, 1996. 394 p. (2 ex.)
Cem anos de solidão. Rio de Janeiro: Record, 2003. 394 p.
LIVROS DO AUTOR NA CIRCULANTE (DISPONÍVEIS PARA EMPRÉSTIMO):
O amor nos tempos do cólera. Rio de Janeiro: Record, ed. 1985 (6 exs.), 1995 (2 exs.) e 2005. Média: 429 pág.
Chronicle of a death foretold. New York: Ballatine Books, 1984. 143 pág.
Crônica de uma morte anunciada. Rio de Janeiro: Record, ed. 1981 (2 exs.) e 2000 (2 exs.). Média: 177 pág.
Do amor e outros demônios. Rio de Janeiro: Record, ed. 1994 (3 exs.), 1996 e 2000. Média: 221 pág.
Doze contos peregrinos. Rio de Janeiro: Record, 1993 (2 exs.). 252 pág.
A incrível e triste história da Cândida Erêndira e sua avó desalmada. Rio de Janeiro: 1972. 158 pág.
A má hora: o veneno da madrugada. Rio de Janeiro: Record, 1974. 229 pág. (2 exs.)
LIVROS DO AUTOR NO ACERVO (DISPONÍVEIS APENAS PARA CONSULTA):
A aventura de Miguel Littin, clandestino no Chile (reportagem). Rio de Janeiro: Record, 1986. 127 pág.
O general em seu labirinto. Rio de Janeiro: Record, 1989. 281 pág.
A incrível e triste história da Cândida Erêndira e sua avó desalmada. Rio de Janeiro: 1972. 158 pág.


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